terça-feira, 4 de março de 2025

Carnaval da sétima arte

 Olá querido blog! Saudades? Espero que sim, pois eu estava com muita saudade.  Saudações também aos possíveis leitores desta insistente ilha perdida no turbulento oceano da internet. Não passo por aqui desde o Halloween passado.

É quase fim de carnaval. Tecnicamente já estou escrevendo isso da quarta-feira de cinzas, quase derretendo no escritório. Ainda assim foi um bom carnaval para mim, mesmo que não tenha pulado e cantado marchinhas, porque foi um carnaval de descanso, mas também  de redescoberta: redescoberta de música brasileira e de cinema. 

Na semana passada descobrimos que Ainda Estou Aqui, estava passando no cinema de Passo Fundo (ainda!). Eu e Thais não pensamos duas vezes e fomos assistir, mesmo sendo domingo, mesmo sabendo que estaríamos cansados na segunda de manhã porque imaginávamos que valeria muito a pena. De fato valeu.

Para quem já assistiu o filme creio que vai bastar dizer que foi um dos filmes mais tocantes que já vi, de um requinte raro.  Esse filme fala de um episódio tão absurdo da história com uma doçura impecável. Mostra o terror da ditadura sem apontar diretamente para ela, mas para o seu alvo: a vida de pessoas inocentes e livres, que cultuam o amor, a arte, a vida boa, e honram o direito que todos tem de vivê-la. Saí daquele cinema com uma certa tristeza em ver que certas coisas continuam acontecendo. Ao mesmo tempo essa história plantou uma coisa boa em meu peito, uma vontade de sorrir, apesar de tudo - Nós vamos sorrir, sim!

 Desde aquele dia tenho escutado muito mais música brasileira. Por boa parte da minha juventude nunca fui muito ligado na musica de nosso país. Só fui voltar a dar uma chance à música brasileira mais tarde e aos poucos fui desenvolvendo um gosto maior por ela. Hoje sinto que há muita coisa pra ser descoberta e que a música brasileira fala comigo de um jeito único, justamente por ser brasileira.

 Também saí de lá com a mesma fome por cinema que cultivava quando estava na faculdade: conhecer como o cinema funcionava, como roteiros eram escritos e filmagens eram feitas, despertou um desejo por filmes semelhante ao desejo que tenho por livros- se eu pudesse, teria uma biblioteca de Babel só para mim e nela constariam rolos de filmes também. Uma vontade de assistir filmes surgiu de novo, não como quem assiste porque precisa ser entretido antes que a semana comece de novo, mas sim como alguém que quer descobrir algo novo. Também quero falar sobre estes filmes, escrever sobre eles, sonhar com eles e quero que venham vários: clássicos e novos, cults e pipocas, brasileiros e estrangeiros, filmes bons e também ruins. Quero todos eles. 

 Por isso também quero fazer deste blog um lugar pra depositar minhas ideias sobre descobertas cinematográficas e  musicais, assim como já fiz com alguns livros. Que isso aconteça com mais frequência, afinal, a vida é curta e escrever é uma das coisas mais belas que se faz dela. 

 Em breve vou estar escrevendo sobre os filmes que assisti nas últimas semanas.